Festa de Iemanjá transforma o Rio Vermelho em palco de fé, cultura e preservação da memória em Salvador
Celebração centenária dedicada à Rainha do Mar é Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador

A tradicional Festa de Iemanjá volta a reunir fé, cultura e identidade no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, na próxima segunda-feira (2). Considerada uma das mais importantes manifestações religiosas e culturais da capital baiana, a celebração deve atrair milhares de pessoas, entre pescadores, religiosos, moradores e turistas, em um grande ato coletivo de devoção à Rainha do Mar.
Realizada a partir da Colônia de Pescadores Z1 e da Casa de Iemanjá, a festa atravessa gerações e se consolidou como símbolo da identidade cultural soteropolitana. Em reconhecimento à sua relevância histórica e simbólica, a celebração foi registrada como Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador pela Fundação Gregório de Mattos (FGM), em 2020.
Para garantir a realização do evento, a Prefeitura de Salvador mobiliza, de forma integrada, serviços de mobilidade, trânsito, saúde, ordem pública e segurança, assegurando acolhimento e organização ao público.
“A Festa de Iemanjá reafirma a relevância de uma celebração dedicada a um orixá na cidade mais negra fora da África. É uma manifestação com mais de 100 anos de existência que preserva a memória e a ancestralidade afro-baiana”, afirma Vagner Rocha, diretor de Patrimônio e Equipamentos Culturais da FGM.
Preservação cultural e cuidado com a tradição
Responsável pela política cultural do município, a Fundação Gregório de Mattos mantém atenção permanente às festas populares, zelando para que seus elementos essenciais sejam preservados. Segundo Rocha, o diálogo contínuo com os pescadores da Colônia Z1 é fundamental para garantir a autenticidade da celebração.
“Sem os pescadores, sem a colônia e sem a procissão marítima que leva o presente ao mar, a festa não acontece. A cultura é dinâmica, mas a essência precisa ser preservada”, destacou.
Nos últimos anos, diversas ações foram implementadas para salvaguardar a tradição, como a elaboração do Plano de Salvaguarda da Festa de Iemanjá, o restauro da imagem da orixá em frente à Casa de Iemanjá e a recuperação de embarcações utilizadas pelos pescadores, responsáveis pelo momento mais simbólico da celebração: a entrega da oferenda em alto-mar.
Neste ano, a FGM também promove a restauração da escultura da sereia do Largo da Mariquita, obra do artista Tatti Moreno, reforçando o compromisso com a preservação da memória cultural da festa.
Devoção, protagonismo e identidade afro-baiana
A Festa de Iemanjá ocupa um lugar singular no calendário cultural de Salvador por ser a única celebração dedicada exclusivamente a um orixá, sem sincretismo religioso. “Reverenciar Iemanjá é reverenciar as águas, o mar e a preservação ambiental, especialmente em um contexto de debates sobre mudanças climáticas”, ressaltou Vagner Rocha.
O protagonismo da festa permanece nas mãos dos pescadores. José Roberto Pantaleão, de 69 anos, integrante da Colônia Z1 há mais de cinco décadas, destaca o orgulho de manter viva a tradição. “É uma devoção muito forte. Temos história e memória dessa celebração. Hoje, ela se tornou uma das maiores festas populares da cidade”, afirmou.
O pescador Nilo Garrido, de 60 anos, também ressalta o significado da celebração. “A Festa de Iemanjá tem um encanto que não dá para explicar. Ver o Rio Vermelho tomado por tanta gente é a prova da força dessa tradição”, concluiu.



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