Falando de Dinheiro: A próxima decisão

Reflexão sobre planejamento financeiro, espiritualidade e escolhas práticas mostra por que agir agora é mais importante do que esperar dias melhores

Falando de Dinheiro: A próxima decisão

Sempre que me perguntam minha religião, respondo que sou baiano. Cresci com uma formação católica, tive alguns encontros com entidades e caboclos aqui e ali, acrescentei o espiritismo e, alguns anos depois, a Umbanda. Me sinto bem nos três ambientes — melhor nos dois últimos — mas tenho uma ligação muito forte com a natureza, principalmente com o mar. Por isso, costuma ser mais fácil resumir dizendo que minha religião é ser baiano.

E depois de muitos anos que passei por essa caminhada, voltei a frequentar um centro espírita agora em 2026. Em um desses dias, o tema da palestra foi “Vivemos esperando dias melhores”. O palestrante comentou como nos acomodados e ficamos sentados esperando que a vida se resolva para que possamos curtir. Literalmente, esperando dias melhores.

Dois dias depois dessa palestra, em um dos encontros da Nossa, Vivian Magalhães estava debatendo alguns pontos com Eduardo Amuri e soltou uma frase que, na hora, me pegou:

“Por mais que a gente queira desenhar décadas, o que a gente pode organizar é a próxima decisão.”

Ela falava sobre a mania que nós, planejadores financeiros, temos de querer o quadro todo pronto e bem feito. A vida do cliente organizada de agora até a aposentadoria. Aquela espera pelos dias melhores toda jogada em uma planilha. Só faltava acontecer.

É muito bom olhar uma planilha e ver tudo bem desenhado, tudo aparentemente resolvido. É confortável para o planejador mostrar esse cenário completo, assim como é gostoso para quem olha imaginar tudo acontecendo. Às vezes temos até a sensação de realização só pelo fato de imaginar.

Queremos pensar na aposentadoria, queremos comprar carro, comprar casa, viajar pra Europa, chegar no primeiro milhão…. Queremos muita coisa e focamos quase exclusivamente na realização final. Dá um quentinho bom imaginar tudo acontecendo. Viajamos, realizamos. Dá até uma empolgação que dura 30 segundos.

Para algumas pessoas, dura semanas.

Mas passa.

Imaginamos o que queremos, visualizamos aquilo acontecendo e aí sentamos à espera desses dias melhores. Dizem que se jogarmos para o universo, as coisas se realizam. Talvez venha daí essa tendência. Montamos todo o cenário, sentimos o gostinho da conquista e é como se finalizássemos com: “Vai, universo. Agora é com você.”

Eu até concordo que a intenção ajuda muito.

Mas acho que o universo não tem todo esse poder de tirar planos do papel sozinho, não. Precisa da ação. Precisamos nos mover. Precisamos agir.

E é aqui que entra a parte mais poderosa da frase de Vivi:

“O que a gente pode organizar é a próxima decisão.”

Por mais que tudo esteja elaborado, pensado e imaginado, o que temos controle de verdade é o primeiro passo. O que podemos fazer agora. O caminho é longo, cheio de etapas, ajustes e desvios. Não sabemos se tudo vai acontecer exatamente como planejamos. Mas, para descobrir, precisamos dar o primeiro passo.

E não só precisamos.

É a única coisa que realmente podemos fazer.

A próxima decisão é tudo o que temos.

Quero organizar a aposentadoria? Vou fazer uma previdência, pegar um Tesouro Renda +;

Pensei em viajar? Vou iniciar uma reserva;

Preciso de folga no orçamento? Diminuo um gasto;

Quero meu primeiro milhão? Separo um valor por mês.

A próxima decisão não tem o mesmo charme da imagem final. Ela não brilha os olhos. Não rende print, nem história bonita para contar. E justamente por isso, muitas vezes é deixada de lado. Mas aquilo que brilha os olhos só acontece se o passo a passo for feito.

Pense lá na frente. Planeje lá na frente. Se veja naquela realização.

Mas não se prenda só a isso.

Entenda o que precisa ser feito até chegar lá. Quais movimentos serão necessários, com quem você vai contar no meio do caminho, quais ajustes pequenos e grandes precisarão acontecer.

Porque os dias melhores e os grandes objetivos são construídos, no fim das contas, pelas próximas decisões que tomamos ao longo da vida.

E qual é a sua próxima decisão?

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