Falando de Dinheiro #102 | Quando tudo funciona, a gente nem percebe

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Falando de Dinheiro #102 | Quando tudo funciona, a gente nem percebe

Você já parou pra pensar quantas vezes no dia você senta ou levanta? Acorda, levanta, toma banho, vai preparar o café, senta pra tomar o café, levanta, sai pra trabalhar, senta no carro ou no transporte público, levanta, chega no trabalho, senta pra trabalhar, levanta para beber água, pra ir ao banheiro, levanta pra reunião… senta, levanta, senta, levanta. Fazemos esses movimentos ao longo do dia sem nem perceber, a não ser que tenha alguma questão que te impeça. Movimentos automáticos. Mas não para todo mundo.

Do final do ano passado até o começo desse ano, passei uns quatro ou cinco meses percebendo muito bem que não é tão simples assim. Estava com uma dor muito forte entre o quadril e o glúteo do lado direito e qualquer movimento para sentar ou levantar, mínimo que fosse, exigia um esforço grande. O que eu normalmente fazia sem precisar de um pensamento ativo, passou a exigir uma longa preparação.

Respirar fundo, ajeitar o corpo, geralmente apoiar o braço em algum local para tirar a força dos músculos do quadril e do glúteo, empurrar o apoio. Quando estava em pé, aguardar alguns segundos com o corpo inclinado, ir levantando aos poucos até que tivesse condição de começar a andar.

Foram longos meses assim. Longos meses pensando muito bem quando poderia sentar, quando ia levantar. Parecia que não iria acabar nunca.

Até que, pouco a pouco, a preparação antes de levantar ou sentar deixou de ser necessária. Nem lembrava mais das dores de poucos dias atrás. Quando menos esperava, estava sentado. Sem nem perceber já tinha levantado para ir pegar um café.

Quando possível, esses movimentos automáticos não nos chamam atenção. Se você tem capacidade física, só percebe que é necessário algum tipo de esforço quando o natural não pode ser feito. Se funciona bem, quase que se torna invisível.

E é esse estado que chamamos de normal. Se não tem intercorrência, se não gera preocupação, se as coisas estão devidamente funcionais, nos damos por satisfeitos, não pensamos, não vemos problema.

Se parar para pensar bem, seria bom se fosse tudo assim. Funcional sem precisar de esforço. E é desse jeito que o planejamento financeiro precisa ser.

Ele não tem que fazer você pensar a cada momento, restringir aqui, fazer força pra sentar ou pra levantar. Ele tem que te permitir seguir na direção que quiser sem que seja necessário um esforço maior para isso.

Estabilidade, cartão controlado, contas no automático, meio que como se não percebesse quando está funcionando. Isso porque a estabilidade não faz barulho.

E o bom planejamento financeiro é aquele que ninguém vê.

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