Facão, intimidação e dívidas: Agnaldo Liz deixa o Atlético de Alagoinhas e denuncia caos nos bastidores

Clube é lanterna do Baianão e também é alvo de apuração do Ministério Público

Esporte
Facão, intimidação e dívidas: Agnaldo Liz deixa o Atlético de Alagoinhas e denuncia caos nos bastidores
Ex-treinador relata crise extrema | Reprodução / Prefeitura Municipal

POR: Iarla Queiroz

A saída de Agnaldo Liz do comando técnico do Atlético de Alagoinhas escancarou uma crise que vai além do mau desempenho dentro de campo. Demitido após a goleada por 4 a 1 sofrida diante do Jequié, na quarta rodada do Campeonato Baiano de 2026, o treinador, em entrevista à Rádio Sociedade da Bahia, denunciou uma sequência de problemas administrativos, financeiros e até episódios de intimidação vividos durante sua última passagem pelo clube.

Lanterna da competição, o Carcará vive um momento de instabilidade dentro e fora de campo, agravado pelas denúncias feitas pelo ex-treinador Agnaldo Liz, que deixou o clube após relatar atrasos salariais, dívidas acumuladas e episódios de intimidação nos bastidores.

Demissão após goleada e silêncio da diretoria

A saída de Agnaldo Liz foi comunicada oficialmente pelo clube na sexta-feira, 23, um dia após a derrota fora de casa. Em nota, o Atlético agradeceu ao treinador e desejou sucesso na sequência da carreira.

Sua dedicação, profissionalismo e entrega deixaram marcas importantes na nossa caminhada”, escreveu o clube.

Nos bastidores, no entanto, o desligamento foi seguido por dias de silêncio. Segundo Agnaldo, após ser informado pelo presidente Albino de que estava fora dos planos, não houve nova reunião nem definição sobre sua situação contratual.

Fiquei aguardando. Estou em Alagoinhas com minha esposa, no flat do clube, esperando o pagamento e a definição dessa rescisão”, afirmou em entrevista à Rádio Sociedade.

Salários atrasados e dívida acumulada

Um dos pontos centrais da denúncia feita pelo treinador é o atraso no pagamento de salários. Agnaldo afirma estar com mais de 23 dias de vencimentos em aberto e relata que, no último jogo, os valores só foram pagos aos atletas minutos antes da partida.

O pagamento dos jogadores entrou momentos da partida. O meu, que era 50%, não entrou. Aí comecei a desconfiar se estavam esperando o resultado para pagar ou não”, disse.

Segundo ele, a situação recorrente gerou apreensão no elenco e impactou diretamente o rendimento em campo. “O jogador precisa estar com a cabeça tranquila. Com esse tipo de problema, as coisas se agravam”, pontuou.

Pagamentos do próprio bolso e comissão desmontada

Além dos atrasos salariais, Agnaldo afirma ter arcado com despesas que não eram de sua responsabilidade, como alimentação, hotel e custos operacionais do dia a dia do clube.

Tive que tirar dinheiro do bolso para pagar coisas funcionais. Isso não é minha função”, relatou.

O treinador também descreveu um esvaziamento progressivo da comissão técnica, motivado pela falta de pagamento. Preparador físico, auxiliar técnico e treinador de goleiros deixaram o clube ao longo das semanas.

Até dias atrás, não tinham pago o preparador físico. Meu assistente também saiu. Está difícil a condição”, afirmou.

Cachorro e facão: intimidação em meio a dívidas

Em meio ao relato sobre atrasos salariais e acordos financeiros não cumpridos, Agnaldo Liz denunciou um episódio que classificou como constrangedor e extremo durante o período de concentração do Atlético de Alagoinhas. Segundo o treinador, a equipe foi impedida de deixar o local enquanto uma negociação era conduzida, em razão de débitos pendentes com funcionários.

Estávamos para sair da concentração e botaram um Rottweiler e um segurança com um facão na mão, com a gente dentro do ônibus, do meio-dia até a noite, para poder sair, até ter uma negociação”, afirmou.

De acordo com Agnaldo, a situação estaria diretamente ligada à falta de pagamento de pessoas envolvidas na logística da equipe. “Não pagaram as pessoas que estavam lá. Tiveram que fazer acordo. É um absurdo chegar a esse ponto”, completou.

O ex-treinador associa o episódio ao cenário de endividamento e desorganização financeira que, segundo ele, marcou o dia a dia do clube e comprometeu o ambiente de trabalho durante a competição.

Crise administrativa sob investigação

A crise no Atlético de Alagoinhas não se limita ao futebol. O clube também é alvo de uma investigação do Ministério Público, que apura supostas fraudes em acordos trabalhistas durante a atual gestão.

Uma notícia-crime aponta a existência de acordos simulados, possível desvio de recursos e concentração de ações em uma mesma comarca para liberação acelerada de valores. Parte do dinheiro, segundo o documento, teria sido repassada a integrantes da cúpula administrativa do clube. O MP ainda apura responsabilidades e a existência de um possível padrão irregular.

Saída com histórico e frustração

Esta foi a sexta passagem de Agnaldo Liz pelo Atlético de Alagoinhas. O treinador comandou o clube em 53 partidas oficiais e foi o responsável pelo título do Campeonato Baiano de 2022, uma das maiores conquistas da história recente do Carcará.

Apesar da ligação com o clube, Agnaldo afirma que a situação se tornou insustentável.

O Atlético é um clube grande, com camisa pesada e torcida maravilhosa. Não merece passar por isso. Gostaria de ter ficado, mas chegou um momento que não dava mais”, concluiu.

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