Ex-prefeito de Camaçari gastou R$ 441 milhões em obras inacabadas

Bahia Política
Ex-prefeito de Camaçari gastou R$ 441 milhões em obras inacabadas
Foto: Juliano Sarraf

Uma bomba fiscal e administrativa assombra a cidade de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. O ex-prefeito Antônio Elinaldo Araújo (União Brasil) gastou 97% do valor contratado em dólares junto ao CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina – e deixou um rastro de obras inacabadas, promessas frustradas e um município em alerta vermelho quanto à responsabilidade fiscal.

Em 2019, Elinaldo assinou contrato de financiamento externo de US$ 100 milhões, aproximadamente R$ 570 milhões na cotação atual, sendo US$ 80 milhões com o CAF, com contrapartida municipal de US$ 20 milhões. O Programa de Integração e Desenvolvimento Urbano, Social e Ambiental de Camaçari previa intervenções estruturantes em mobilidade urbana, revitalização do centro histórico, requalificação da orla e ações de sustentabilidade ambiental. Cinco anos depois, a realidade é outra: R$ 441 milhões já foram gastos e o pacote de obras está longe de ser concluído.

Uma análise técnica feita no início da atual gestão identificou a suspensão quase simultânea de todas as principais intervenções do programa entre novembro e dezembro de 2024, justamente dois meses após as eleições municipais que deram vitória ao atual prefeito Luiz Caetano (PT). A coincidência temporal levanta suspeitas sobre má-fé administrativa e possível desvio de finalidade na execução dos recursos.

Sem acesso a relatórios detalhados e sem colaboração institucional na transição, a nova administração foi obrigada a iniciar do zero a verificação do que foi feito – e do que não foi. “Herdamos um cenário de abandono e irresponsabilidade. Em pleno Centro Histórico, sequer havia previsão para drenagem ou esgotamento sanitário nas vias em obras. Não poderíamos repetir o erro e deixar a obra paralisada”, declarou o prefeito Luiz Caetano.

A prefeitura retomou no último dia 13 de março as intervenções no Centro Histórico, que estavam paradas com apenas 57% executados. O novo cronograma prevê seis etapas para tentar minimizar os impactos no comércio local e garantir entrega até o fim do ano.

Mas os problemas vão muito além do centro da cidade. Entre os projetos paralisados ou não iniciados constam: urbanização de Itacimirim e Barra do Jacuípe; revitalização da Lagoa das Virgens; criação do Núcleo de Monitoramento dos Recursos Naturais; implantação do Sistema Próprio de Ensino e Formação de Professores; e apoio à micro e pequena empresa e ao turismo da orla.

Com apenas R$ 15 milhões restantes no contrato, a atual gestão enfrenta o desafio quase impossível de concluir as obras e evitar a perda de credibilidade internacional do município junto ao CAF, que enviou representantes a Camaçari nesta quinta (20) e sexta-feira (21) para cobrar explicações e apresentar recomendações.

Comentários:

Ao enviar esse comentário você concorda com nossa Política de Privacidade.

Logo Sou da Bahia
Resumo das Políticas

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.