“Eu sonhei com isso”: mãe de Sara Freitas relata ‘visão’ antes do crime em julgamento
Depoimento emocionante expõe sonho, ameaças e detalhes do relacionamento da cantora antes do crime

O julgamento do caso envolvendo a morte da cantora gospel Sara Freitas ganhou um dos momentos mais marcantes nesta terça-feira (24), no Fórum de Dias D’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador.
No plenário, a mãe da vítima, Dolores Freitas Souza Lima, fez um depoimento forte, carregado de emoção — e trouxe relatos que chamaram atenção de todos os presentes.
“Eu vi minha filha sendo morta”
Um dos pontos mais impactantes foi a revelação de um sonho que, segundo Dolores, aconteceu cerca de dois meses antes do crime.
“Eu tive um sonho em que via minha filha sendo morta pelo próprio marido”, relatou.
Ela afirmou ainda que, na mesma visão, outros dois acusados também apareciam, o que aumentou sua preocupação com a segurança da filha ainda em vida.
Relacionamento marcado por conflitos
Durante o depoimento, a mãe detalhou como começou o relacionamento entre Sara e Ederlan Santos Mariano, que se conheceram pelas redes sociais.
Segundo ela, o relacionamento era conturbado, com relatos frequentes de conflitos dentro de casa.
“Ela dizia que ele bebia, usava substâncias e era agressivo”, contou.
De acordo com Dolores, as queixas da cantora se intensificaram após ela compartilhar o sonho e demonstrar medo do que poderia acontecer.
Dependência e brigas constantes
Outro ponto levantado foi a dinâmica financeira do casal. Segundo o depoimento, Sara era a principal responsável pelo sustento da casa, trabalhando como cantora, vendendo produtos e recebendo apoio de líderes religiosos.
Já o companheiro, segundo ela, enfrentava dificuldades profissionais e resistia a buscar outras ocupações, o que gerava discussões.
“Ela chegou a guardar cerca de R$ 30 mil comigo, com medo de ele ter acesso”, revelou.
Ameaças e comportamento preocupante
A mãe também relatou episódios de ameaça e atitudes que aumentaram o temor dentro da relação.
“Ela disse que ele queria comprar uma arma e, quando ela discordou, foi ameaçada”, afirmou.
Além disso, citou crises de ciúmes e suspeitas de monitoramento, o que levou a cantora a trocar de celular.
Dolores ainda relatou um episódio pessoal envolvendo o acusado.
“Eu fui embriagada sem consentimento e depois ameaçada quando falei em chamar a polícia”, disse.
Outros relatos no depoimento
Durante o testemunho, também foram mencionados episódios anteriores envolvendo o acusado, como suspeitas de furto e conflitos familiares.
Dolores ainda comentou sobre pessoas próximas à filha e negou qualquer envolvimento amoroso atribuído à cantora.
Como funciona o julgamento
O júri popular acontece no Fórum Criminal de Dias D’Ávila e conta com 17 testemunhas no processo, que apura a participação de três réus no feminicídio.
A sessão segue o rito tradicional:
- depoimentos de testemunhas de acusação
- depoimentos de defesa
- interrogatório dos acusados
- debates entre acusação e defesa
- réplica final
A expectativa, segundo o juiz responsável, é de que o julgamento se estenda por mais dias, embora haja tentativa de conclusão ainda nesta terça.
Relembre o crime
O crime aconteceu em 24 de outubro de 2023, na entrada do povoado Leandrinho, em Dias D’Ávila.
De acordo com o Ministério Público, Sara foi atraída sob o pretexto de participar de um evento religioso e assassinada com múltiplos golpes de faca. Após o homicídio, o corpo foi ocultado e queimado.
As investigações apontam que o crime teria sido planejado, com divisão de tarefas entre os envolvidos e motivação ligada a promessa de recompensa financeira e interesses profissionais.



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