Endividamento das famílias atinge 79,5% em janeiro

Cartão de crédito lidera perfil de dívidas, enquanto inadimplência recua pelo terceiro mês seguido

Brasil
Endividamento das famílias atinge 79,5% em janeiro

O endividamento das famílias brasileiras atingiu 79,5% em janeiro de 2026, igualando o recorde registrado em outubro do ano passado, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Apesar do aumento das dívidas, o número de famílias que não conseguiu pagar os compromissos em dia caiu pelo terceiro mês consecutivo, indicando melhora parcial na capacidade de pagamento. Em dezembro de 2025, o endividamento estava em 78,9%, e no mesmo mês de 2025, atingia 76,1%.

O levantamento mostra que o endividamento é mais intenso entre famílias com renda de até três salários mínimos, alcançando 82,5%. Já os domicílios com renda acima de dez salários mínimos registram 68,3%. Desde janeiro, o salário mínimo está fixado em R$ 1.621.

Perfil da dívida
O cartão de crédito segue como principal fonte de endividamento, presente em 85,4% dos casos, seguido por carnês (15,9%), crédito pessoal (12,2%), financiamento de casa (9,6%) e financiamento de carro (8,7%). Outras modalidades como crédito consignado, cheque especial e cheque pré-datado somam porcentagens menores.

Em média, as famílias levam 7,2 meses para quitar suas dívidas, comprometendo cerca de 29,7% da renda. Uma em cada cinco famílias gasta mais da metade do rendimento com dívidas.

Dívidas atrasadas e inadimplência
A inadimplência caiu para 29,3% em janeiro, marcando o terceiro mês seguido de redução desde outubro, quando estava em 30,5%. A parcela de famílias com atraso nas contas é maior entre domicílios de menor renda: 38,9% nos que recebem até três salários mínimos e 14,9% entre os que ganham acima de dez mínimos. O tempo médio de atraso foi de 64,8 dias, e 12,7% das famílias relataram não ter condições de pagar dívidas vencidas.

Juros altos e impacto no orçamento
A CNC aponta que a alta da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, dificulta a amortização das dívidas e aperta ainda mais o orçamento familiar. Essa taxa influencia os juros ao consumidor e segue alta como mecanismo de controle da inflação.

Projeção para 2026
A entidade projeta que o endividamento das famílias continuará elevado, chegando a 80,4% em junho, enquanto a inadimplência deve recuar para 28,9%, beneficiada por possível queda da Selic a partir de março. Segundo o economista-chefe da CNC, o impacto positivo no crédito deve se tornar mais evidente entre o segundo e terceiro trimestre.

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