“Dois vão ter que sentar na mesma cadeira”, diz Jaques Wagner ao comentar impasse envolvendo Angelo Coronel
Senador nega racha, admite dificuldade na chapa de 2026 e diz que grupo busca solução sem briga

Em meio às especulações sobre a formação da chapa majoritária da base governista na Bahia para as eleições de 2026, o senador Jaques Wagner (PT-BA) comentou diretamente o impasse envolvendo o senador Angelo Coronel (PSD-BA). Questionado se a vaga de Coronel estaria sendo “rifada”, Wagner foi direto ao negar qualquer tipo de exclusão dentro do grupo político.
“Não, ninguém está sendo rifado. Nós temos um problema. Três candidatos para duas vagas.”
Segundo o senador, o cenário exige negociação e diálogo entre os partidos que compõem a base aliada desde 2007. Para ele, apesar da dificuldade evidente, o histórico do grupo político demonstra capacidade de acomodação e crescimento coletivo.
“Nós estamos fazendo um esforço, todo mundo, todos os partes. Toda a liderança, pra gente encontrar uma equação que dê conforto a todos os partidos.”
Três nomes, duas vagas e uma equação política
Ao comentar a disputa interna, Jaques Wagner recorreu a uma metáfora para explicar o momento vivido pela base governista e a necessidade de maturidade política entre os envolvidos. A fala foi usada para ilustrar que, diante da limitação de vagas, concessões serão inevitáveis.
“Sabe aquele jogo da cadeira? (…) vai ter uma hora que dois vão ter que sentar na mesma cadeira a gente vai dar um jeito.”
Wagner também destacou que, ao longo dos anos, o grupo político governista se consolidou justamente por absorver partidos e fortalecer alianças, em contraste com adversários que, segundo ele, perderam força ao longo do caminho.
“Esse grupo político que começou em 2007, ele tem uma característica, ele é um terreno fértil, os partidos cresceram.”
Proposta para Coronel e tentativa de evitar racha
O debate ganhou força após a revelação de uma nova proposta para a composição da chapa ao Senado. De acordo com informações da coluna de Milena Teixeira, do portal Metrópoles, o PT sugeriu que Angelo Coronel componha a chapa como suplente de Jaques Wagner no próximo pleito, preservando a aliança com o PSD.
Segundo Wagner, a proposta foi apresentada diretamente ao senador pessedista como forma de evitar um conflito interno.
“Eu acho que tem outras formas da gente fazer. Eu realmente perguntei se ele toparia vir aqui para a suplência. Não tem por que a gente brigar só pelo direito de ele ser candidato.”
Apesar da sugestão, Wagner afirmou que ainda não houve resposta de Coronel.
“Falei para ele: não vamos brigar por isso. Vai rachar só pelo prazer de ser candidato?”
PSD mantém apoio, mesmo sem Coronel na chapa
O cenário ficou ainda mais sensível após declarações do senador Otto Alencar, presidente do PSD na Bahia. Ele afirmou que o partido seguirá apoiando a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT), mesmo que Angelo Coronel não seja escolhido para a chapa ao Senado.
“O PSD só indicará um nome para a chapa, que é o de Angelo Coronel. Se, por acaso, ele não for escolhido, o partido permanece na aliança, mas não indica ninguém.”
A posição sinaliza a tentativa de manter a unidade do grupo, mesmo diante do impasse.
Unidade como prioridade
Apesar do ambiente de tensão e das disputas naturais de um processo eleitoral antecipado, Jaques Wagner reforçou que a prioridade do grupo é preservar a unidade política construída ao longo dos anos. Para ele, o desafio existe, mas será enfrentado sem rupturas.
“Temos uma dificuldade, temos, mas temos maturidade, temos relação de amizade, de compromisso com o projeto e vamos encontrar uma saída.”
Entre cadeiras disputadas, alianças históricas e articulações em curso, o nome de Angelo Coronel segue no centro da equação política que deve definir os rumos da chapa governista na Bahia em 2026.



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