Diabetes tipo 2 pode causar cicatrizes no coração, revela estudo

Pesquisa aponta que doença provoca danos mais profundos na musculatura cardíaca

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Diabetes tipo 2 pode causar cicatrizes no coração, revela estudo
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade de Sydney, na Austrália, revelou que pessoas com diabetes tipo 2 podem sofrer danos físicos no coração muito mais graves do que se imaginava até então. Além de comprometer pequenos vasos sanguíneos, a doença pode provocar cicatrizes na musculatura cardíaca, afetando diretamente a capacidade do órgão de bombear sangue.

A pesquisa analisou amostras do miocárdio ventricular esquerdo coletadas antes da morte de pacientes com e sem diabetes tipo 2. A comparação mostrou que a doença promove uma remodelação estrutural do coração, com enfraquecimento da musculatura e acúmulo de tecido fibroso, tornando o músculo mais rígido e menos eficiente.

Os efeitos foram ainda mais intensos em pacientes com doença cardíaca isquêmica, considerada a principal causa de insuficiência cardíaca no mundo. Segundo o estudo, publicado na revista científica EMBO Molecular Medicine, a combinação das duas condições agrava significativamente os danos ao coração.

Como a diabetes tipo 2 afeta o coração

Os pesquisadores identificaram uma assinatura molecular específica em pacientes que apresentavam diabetes tipo 2 associada à cardiomiopatia isquêmica. Proteínas responsáveis pelo transporte e pela oxidação de ácidos graxos apresentaram redução expressiva, comprometendo a principal fonte de energia do coração.

Além disso, houve diminuição na expressão de substâncias como acilcarnitinas e perilipinas, essenciais para o metabolismo da gordura. Essas alterações indicam que o coração de pessoas com diabetes perde eficiência energética, o que favorece a progressão da insuficiência cardíaca.

Outro achado relevante foi o aumento significativo da miofibrose, processo caracterizado pela formação de tecido cicatricial no músculo cardíaco. Isso reforça que a diabetes tipo 2 não atua apenas como um fator associado, mas interfere diretamente nos mecanismos que mantêm o funcionamento do coração ao longo do tempo.

Danos chegam às células cardíacas

De acordo com o médico Benjamin Hunter, um dos líderes do estudo, o impacto metabólico da diabetes no coração humano ainda não era totalmente compreendido. Em condições normais, o coração utiliza majoritariamente gorduras para produzir energia, com participação complementar da glicose.

“Observamos que a diabetes intensifica as alterações moleculares da insuficiência cardíaca e aumenta o estresse nas mitocôndrias, responsáveis pela produção de energia nas células”, explicou Hunter. Segundo ele, esse estresse reduz a eficiência energética e acelera o dano celular progressivo.

Novas possibilidades de tratamento

Para o professor Sean Lal, também coordenador da pesquisa, a identificação das alterações mitocondriais e dos mecanismos de fibrose abre novas perspectivas para o tratamento da doença.

“Agora que conseguimos estabelecer uma ligação direta entre diabetes tipo 2 e doenças cardíacas em nível molecular, podemos explorar novas abordagens terapêuticas, melhorar critérios de diagnóstico e aprimorar o cuidado de milhões de pacientes”, afirmou.

O estudo reforça a importância do controle rigoroso da diabetes tipo 2 como medida essencial para preservar a saúde do coração e reduzir o risco de complicações cardiovasculares graves.

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