Depois do Rio, Salvador? Saltur fala sobre atrações internacionais e megaeventos
Prefeitura admite interesse em atrações internacionais e observa modelo do Rio para ampliar projeção global

Com o Carnaval se aproximando, uma pergunta começou a circular entre foliões e bastidores da cultura: Salvador pode entrar no circuito dos grandes eventos internacionais, como o “Todo Mundo no Rio”? A discussão ganhou força após declarações do presidente da Saltur, Isaac Edington, sobre o interesse da cidade em atrair artistas estrangeiros.
O que é o “Todo Mundo no Rio” — e por que Salvador observa de perto
Criada pela prefeitura do Rio de Janeiro em parceria com a produtora Bonus Track, a plataforma “Todo Mundo no Rio” se consolidou como um dos maiores projetos de shows gratuitos do mundo. Em Copacabana, artistas como Madonna e Lady Gaga reuniram públicos estimados em milhões de pessoas.
Com edições garantidas ao menos até 2028, o evento já tem nomes como U2, Beyoncé, Rihanna e Adele entre os mais especulados para o futuro. O impacto vai além da música: o projeto impulsiona o turismo e coloca o Rio no radar internacional — um modelo que Salvador acompanha atentamente.
Saltur: “Salvador recebe atrações internacionais de braços abertos”
Em conversa com o Portal Sou da Bahia, Isaac Edington afirmou que Salvador percebe um interesse crescente de artistas estrangeiros pelo Carnaval brasileiro. Segundo ele, muitos vêm à cidade apenas para vivenciar a festa — “nem querem cantar” — e são bem recebidos pelo público.
O presidente da Saltur reforçou que o foco da prefeitura segue sendo o fortalecimento da cena local, com artistas baianos e nacionais. Ainda assim, destacou a dimensão da festa: são mais de 500 atrações nos bairros e mais de 700 no circuito oficial durante o Carnaval apoiado pelo poder público.
Para Edington, o crescimento do interesse internacional é um reflexo natural da força do evento. “Salvador recebe todas as atrações internacionais de braços abertos”, afirmou.
Tradição, identidade e histórico internacional
Reconhecido oficialmente como uma das maiores festas de rua do mundo, o Carnaval de Salvador tem um formato único, baseado nos trios elétricos e na ocupação contínua do espaço urbano. Ao longo da história, a cidade já recebeu artistas internacionais, como o sul-coreano PSY, que participou do Carnaval em 2013 ao lado de nomes brasileiros.
Esses episódios reforçam o potencial da capital baiana para dialogar com o mercado global, sem abrir mão de sua identidade cultural, marcada pela música afro-brasileira, pela diversidade e pelo turismo de experiência.
Concorrência ou caminhos diferentes?
Enquanto o Rio aposta em mega shows gratuitos à beira-mar, Salvador segue fortalecendo um modelo próprio, mais espalhado, diverso e conectado à tradição popular. As declarações de Edington indicam abertura para novos formatos, mas deixam claro que qualquer avanço depende de estratégia, investimento e parcerias.
Se Salvador irá disputar diretamente esse espaço ou criar um caminho original no cenário internacional ainda é uma construção em andamento. Por ora, a sinalização é clara: a cidade quer ampliar sua projeção — sem perder sua essência.



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