Crise no Gympass? Academias rompem convênios e reação já atinge Salvador
Pequenos negócios alegam repasses baixos e mudanças contratuais inviáveis

O aviso foi direto: a partir de janeiro de 2026, nada de Gympass (Wellhub) nem TotalPass. O comunicado, publicado por uma academia de boxe em Goiânia, não é um caso isolado. Ele simboliza um movimento que vem se espalhando pelo país — e que já alcança Salvador.
Academias independentes e estúdios de bairro têm optado por encerrar ou limitar parcerias com plataformas de benefícios corporativos. A justificativa é a mesma: o modelo deixou de fechar a conta.
Conta que não fecha
Segundo o Jornal Correio, um empresario do ramo afirmou que: o valor pago por aluno não acompanha os custos operacionais. Enquanto grandes redes conseguem diluir despesas, pequenos estabelecimentos arcam sozinhos com aluguel, energia, manutenção de equipamentos, salários de professores, limpeza e encargos trabalhistas.
Em Salvador, um gestor do segmento relata que o convênio já foi vantajoso, mas perdeu viabilidade após alterações nas regras de repasse. O último reajuste teria ocorrido em 2023. Em 2025, depois de meses de negociação, a proposta apresentada previa aumento nominal, porém com descontos progressivos conforme o número de check-ins — o que poderia gerar, na prática, redução de até 15% no valor recebido.
“Isso significaria receber, em 2026, menos do que em 2023”, afirma.
Restrição, queda e reação do público
Diante do cenário, a academia decidiu limitar o uso do benefício aos fins de semana. O impacto foi imediato: nos primeiros 20 dias, a frequência caiu cerca de 30%.
Com o passar das semanas, segundo o empresário, parte dos alunos migrou para outros planos. A expectativa é de recomposição total do público até março. “A maioria compreendeu e permaneceu. Alguns saíram, mas o saldo foi positivo e nos deixou mais confiantes”, diz.
Tendência nacional
A decisão não é isolada. Entre 2025 e 2026, outras academias pelo Brasil anunciaram rompimentos semelhantes. A Panobianco Academia encerrou parceria com a TotalPass após disputas judiciais. Já a rede Velocity optou por deixar a Wellhub por questões contratuais e pela adoção de outro modelo de plano.
Entre os alunos, as opiniões variam. Há quem veja risco de perda de clientes sem os benefícios corporativos. Outros acreditam que, se o movimento ganhar escala, o poder de negociação pode se inverter em favor dos pequenos negócios.
Sobrevivência, não ruptura
Os proprietários afirmam que a decisão não representa resistência à tecnologia ou aos programas de bem-estar corporativo, mas uma estratégia para manter a sustentabilidade financeira.
“O mercado está cada vez mais competitivo e desigual entre pequenos e grandes. Nas condições atuais, manter esses convênios é operar no prejuízo”, resume o empresário.



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