Covid, gripe ou dengue? Médica explica como diferenciar os sintomas
Período chuvoso aumenta circulação de vírus respiratórios e casos de dengue, o que pode gerar confusão entre sintomas semelhantes.

O período chuvoso em Salvador favorece a circulação de vírus respiratórios, responsáveis por doenças como gripe e COVID-19. Ao mesmo tempo, os casos de Dengue costumam aumentar no primeiro semestre do ano. A coincidência desses fatores faz com que muitas pessoas tenham dificuldade em diferenciar os sintomas das enfermidades, que podem incluir febre, dor de cabeça e dores no corpo.
De acordo com a infectologista da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Adielma Nizarala, a confusão é comum principalmente nos primeiros dias da doença.
“Isso pode acontecer, principalmente para quem não é da área da saúde. Por exemplo, dor de cabeça pode ocorrer na gripe, na influenza, na covid e também na dengue. Febre e dor no corpo também aparecem nas três doenças. A diferença é que a dengue não apresenta sintomas respiratórios. Ela pode causar febre, dor no corpo e dor de cabeça, mas não provoca coriza, espirros, secreção nasal ou dor de garganta”, explica.
Diferenças entre covid, gripe e dengue
Com a evolução do quadro clínico, as características das doenças começam a se diferenciar. A COVID-19 é uma infecção respiratória transmitida principalmente por gotículas e aerossóis, com sintomas como febre, dor no corpo, tosse, coriza e dor de garganta.
“Também podem ocorrer sintomas gastrointestinais, como diarreia e dor abdominal. Outro sinal que pode aparecer na covid é a perda do olfato e do paladar, algo que não é tão comum na influenza. A dor no corpo costuma ser mais leve ou moderada quando comparada à dengue, que provoca dores muito mais intensas”, exemplifica.
Já a gripe, causada pelo vírus da Influenza, também apresenta sintomas respiratórios e costuma começar com mal-estar, dor de cabeça e dor de garganta.
“O quadro geralmente começa com mal-estar, dor de cabeça e dor de garganta, evoluindo depois para febre e dores no corpo. A dor muscular pode ser intensa, mas normalmente não chega ao nível da dor provocada pela dengue”, pontua.
Segundo a especialista, sintomas respiratórios como tosse, coriza e dor de garganta também são frequentes na gripe, mas a perda completa do olfato e do paladar é rara, ao contrário do que pode ocorrer na covid. Em alguns casos, a influenza pode evoluir para complicações como pneumonia, especialmente em grupos de risco.
No caso da Dengue, o quadro clínico é diferente por não envolver sintomas respiratórios. A transmissão ocorre pela picada do mosquito Aedes aegypti.
“A doença geralmente começa de forma súbita, com febre alta, dor intensa no corpo e nas articulações e dor atrás dos olhos, chamada dor retro-orbitária. Também pode surgir um exantema, que são pequenas manchas avermelhadas na pele. Outro aspecto comum é a alteração nas plaquetas, algo que não ocorre nas doenças respiratórias”, explica.
Diagnóstico e tratamento
Semanalmente, unidades de saúde da capital baiana realizam coletas de amostras para identificar quais vírus estão circulando na cidade. Quanto maior o número de testes, mais diagnósticos podem ser confirmados pela Secretaria Municipal da Saúde.
“No caso da dengue, o diagnóstico exige um período específico para a realização do teste rápido, que está disponível nos prontos atendimentos da rede municipal. Também é possível realizar diagnóstico para covid, influenza e dengue”, informa Adielma.
Cada uma das doenças possui tratamento específico, mas geralmente envolve medidas de suporte e controle dos sintomas. Nos casos de covid e gripe, o tratamento costuma incluir hidratação e medicamentos para aliviar febre e dores. Já no caso da dengue, o foco principal é a hidratação e o acompanhamento dos sintomas.



Comentários: