Chocolate amargo pode retardar o envelhecimento, aponta estudo
Pesquisa do King’s College London associa teobromina a envelhecimento biológico mais lento

Comer chocolate amargo pode ser uma estratégia importante para retardar o envelhecimento biológico do corpo. É o que indica um estudo liderado por pesquisadores do King’s College London (KCL), no Reino Unido, que identificou uma relação direta entre a teobromina — composto presente no chocolate amargo — e sinais de juventude celular no organismo.
De acordo com a pesquisa, publicada em 10 de dezembro na revista científica Aging, indivíduos com maiores níveis de teobromina no sangue apresentaram biomarcadores associados a um envelhecimento biológico mais lento. Diferentemente da idade cronológica, o envelhecimento biológico reflete o estado interno do corpo, considerando o acúmulo de danos em células e tecidos ao longo do tempo.
Apesar dos resultados animadores, os autores reforçam que a descoberta não significa liberação para o consumo excessivo de chocolate. A recomendação é que a ingestão seja moderada e integrada a uma alimentação equilibrada para que os benefícios possam ser observados.
“Nosso estudo encontrou ligações entre um componente-chave do chocolate amargo e a manutenção de uma aparência jovem por mais tempo. Embora não estejamos dizendo que as pessoas devam comer mais chocolate amargo, essa pesquisa ajuda a entender como alimentos do dia a dia podem conter pistas para vidas mais saudáveis e longas”, afirmou a coautora Jordana Bell, em comunicado.
Chocolate amargo e juventude celular
Para chegar aos resultados, os cientistas analisaram amostras de sangue de 1.669 participantes, provenientes de dois grandes bancos de dados populacionais. O objetivo foi medir a concentração de diferentes compostos, como cafeína e teobromina, e compará-los com marcadores químicos de envelhecimento.
Entre os indicadores avaliados estavam padrões de metilação do DNA e a estimativa do comprimento dos telômeros — estruturas que protegem as extremidades dos cromossomos e funcionam como um “relógio biológico” das células. Telômeros mais longos costumam indicar um envelhecimento mais lento.
O estudo mostrou que, entre todas as substâncias analisadas, apenas a teobromina apresentou uma associação consistente com sinais de maior juventude biológica. Outros compostos presentes no chocolate e no café não demonstraram o mesmo efeito.
Embora o mecanismo exato de atuação da teobromina ainda não tenha sido identificado, os pesquisadores destacam que o achado abre caminho para novas investigações sobre o papel da alimentação no processo de envelhecimento.
“Embora mais pesquisas sejam necessárias, nossas descobertas reforçam o valor de estudos populacionais para compreender melhor o envelhecimento e a genética humana”, concluiu o biólogo molecular e coautor do trabalho, Ricardo Costeira.



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