Brasil registra aumento histórico em mamografias
Pesquisa Vigitel mostra crescimento histórico da mamografia no Brasil e reforça importância do diagnóstico precoce contra o câncer de mama

A realização de mamografia entre mulheres brasileiras apresenta crescimento consistente nos últimos anos, indicando avanços importantes na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de mama. Dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgados pelo Ministério da Saúde em 28 de janeiro, apontam que a proporção de mulheres de 50 a 69 anos que já realizaram o exame em algum momento da vida subiu de 82,8%, em 2007, para 91,9% em 2024.
O levantamento mostra que o aumento ocorreu em todas as faixas etárias e níveis de escolaridade. O maior avanço foi registrado entre mulheres de 60 a 69 anos, cuja cobertura passou de 81% para 93,1% no período. Entre aquelas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, o índice cresceu de 79,1% para 88,6%.
Outro dado positivo é o crescimento da proporção de mulheres de 60 a 69 anos que realizaram mamografia nos últimos dois anos, passando de 67,2% em 2007 para 74,2% em 2024, o que indica maior adesão ao rastreamento regular.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cerca de 25% dos casos de câncer de mama são diagnosticados em mulheres entre 40 e 49 anos. Por isso, o governo federal ampliou, em setembro de 2025, o acesso à mamografia para mulheres dessa faixa etária mesmo sem sintomas, dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, cerca de 30% das mamografias realizadas na rede pública já ocorrem em pacientes com menos de 50 anos, somando mais de 1 milhão de exames em 2024.
Além disso, o ministério anunciou a ampliação da idade máxima para rastreamento ativo de 69 para 74 anos, considerando que quase 60% dos casos da doença concentram-se entre os 50 e 74 anos e que o envelhecimento é um fator de risco importante.
Nesta quinta-feira (5), quando é celebrado o Dia da Mamografia, os números ganham ainda mais relevância. O câncer de mama segue sendo o tipo mais comum e o que mais mata mulheres no país, com cerca de 37 mil óbitos anuais. Para o período de 2026 a 2028, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 78.610 novos casos por ano.
De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Rio de Janeiro, Bruno Giordano, muitos diagnósticos ainda acontecem em fases avançadas, o que compromete as chances de sucesso do tratamento. Entre os principais entraves estão a baixa cobertura do exame em alguns grupos, dificuldades de acesso aos serviços e a demora entre a realização da mamografia, a confirmação do diagnóstico e o início da terapia.
“A mamografia é o principal exame para detectar o câncer de mama em estágios iniciais, muitas vezes antes mesmo do surgimento de sintomas. Quando o diagnóstico é precoce, as chances de cura podem chegar a 95%”, afirma o mastologista.
Giordano ressalta ainda que a prevenção envolve também hábitos saudáveis, como prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, manutenção do peso adequado e redução do consumo de álcool. Para as mulheres já diagnosticadas, ele reforça a importância do cumprimento da Lei dos 60 Dias, que garante o início do tratamento no SUS em até dois meses após a confirmação da doença.
Para o especialista, cada exame realizado representa uma oportunidade real de salvar vidas. “Ampliar o acesso à mamografia, reduzir desigualdades e transformar o exame em parte da rotina das mulheres é uma responsabilidade coletiva”, conclui.



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