Brasil registra 4% mais desaparecimentos que em 2024

Apesar de políticas de busca, números de desaparecidos aumentam e crianças e adolescentes são os mais afetados

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Brasil registra 4% mais desaparecimentos que em 2024
Foto: Paulo Pinto/ Agencia Brasil

O Brasil registrou 84.760 casos de desaparecimento de pessoas em 2025, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Isso equivale a 232 desaparecimentos por dia, um aumento de 4,1% em relação a 2024, quando ocorreram 81.406 sumiços.

Apesar da criação da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, em 2019, o problema continua em crescimento. A legislação estabelece diretrizes integradas para agilizar a localização de desaparecidos, promovendo cooperação entre órgãos de segurança, saúde e assistência social.

Especialistas destacam que a aparente queda em 2020 e 2021 foi consequência da pandemia, que dificultou o registro de ocorrências. “Essa redução momentânea ocorreu porque as pessoas permaneceram mais em casa”, afirma Simone Rodrigues, coordenadora do Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil (ObDes/UnB).

Pessoas localizadas também aumentam

O total de pessoas localizadas também cresceu nos últimos anos. Em 2020, 37.561 desaparecidos foram encontrados; em 2025, esse número subiu para 56.688, alta de 51% em cinco anos. Segundo Simone, esse avanço reflete tanto o aumento de casos quanto a melhoria das estratégias de busca, incluindo maior interoperabilidade de dados entre instituições federais, estaduais e municipais.

Complexidade dos casos

Segundo a especialista, muitos desaparecimentos estão ligados a crimes graves, como feminicídio, tráfico de pessoas e LGBTQfobia. Casos recentes, como o da corretora Daiane Alves de Souza, em Goiás, reforçam a complexidade do problema. O corpo de Daiane foi encontrado em uma mata após seu assassinato, cometido pelo síndico do condomínio onde morava.

Simone alerta que subnotificação é frequente, principalmente em comunidades vulneráveis, indígenas e pessoas em situação de rua, bem como em contextos de atuação de milícias ou grupos criminosos.

Política Nacional de Busca: avanços e desafios

A Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas é considerada um passo inicial, mas ainda enfrenta desafios. O Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, criado em 2025, registra dados de 12 estados, mas a adesão ainda é limitada. “Os dados ainda são fragmentados; delegacias e Ministério Público não comunicam entre estados”, explica Simone.

Crianças e adolescentes são os mais vulneráveis

Quase um terço das pessoas desaparecidas em 2025 eram menores de 18 anos, totalizando 23.919 casos, alta de 8% em relação a 2024. Entre crianças e adolescentes, a maioria das ocorrências envolve meninas (62%), enquanto no total geral os homens representam 64% dos desaparecidos.

Especialistas alertam para a necessidade de proteção sensível ao buscar crianças e adolescentes desaparecidos, evitando exposição a contextos de violência familiar ou estigmatização.

Aperfeiçoamentos e perspectiva futura

O Ministério da Justiça e Segurança Pública reconhece a subnotificação e destaca que o aumento de 4% em relação a 2024 não significa necessariamente um crescimento real dos casos. A pasta tem investido em capacitação de profissionais, coleta de DNA e campanhas de comunicação. A expectativa é que todos os estados integrem o Cadastro Nacional ainda em 2026, melhorando a eficácia das buscas.

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