Brasil pode registrar 781 mil novos casos de câncer até 2028
Programa de medicina preventiva aposta em monitoramento de pacientes, tecnologia de dados e acompanhamento multiprofissional para reduzir riscos da doença

O Brasil deverá registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026-2028, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Ao mesmo tempo, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que quatro em cada dez casos da doença poderiam ser evitados.
De acordo com o estudo divulgado no início de fevereiro, 37% dos 7,1 milhões de casos registrados em 2022 no mundo estiveram associados a causas preveníveis, como sedentarismo, obesidade, consumo de álcool e tabagismo.
Diante desse cenário, iniciativas voltadas à prevenção e ao acompanhamento de pacientes de risco têm ganhado destaque no sistema de saúde.
Programa aposta em prevenção e diagnóstico precoce
Entre as estratégias adotadas está o programa Qualivida, oferecido pela Hapvida. A iniciativa reúne ações de medicina preventiva como monitoramento contínuo de pacientes com fatores de risco, plano de cuidado individualizado, acompanhamento multiprofissional, campanhas de rastreamento e diagnóstico precoce, além de ações de educação em saúde.
O programa também utiliza tecnologia de dados para apoiar a identificação de possíveis sinais da doença, contribuindo para acelerar diagnósticos e encaminhamentos.
O Qualivida é o único programa de medicina preventiva da América Latina com certificação QMentum International Platinum, padrão internacional de qualidade presente em mais de 30 países. A certificação reconhece governança, boas práticas assistenciais e processos voltados à melhoria contínua.
“Como o público atendido já concentra fatores de risco relevantes, o impacto do programa é ainda maior, já que ele atua antes da doença, durante o tratamento e na prevenção de complicações futuras”, explica Ricardo Walraven, diretor médico de programas especiais e Qualivida da Hapvida.
Monitoramento de fatores de risco
Segundo Walraven, o programa monitora principalmente beneficiários com obesidade, doenças cardiovasculares e diabetes, condições que também podem elevar o risco de desenvolvimento de câncer.
“O programa atua na promoção da perda de peso sustentável, por meio de acompanhamento nutricional, incentivo à prática regular de atividade física e monitoramento de indicadores como IMC e circunferência abdominal. A redução do excesso de peso diminui processos inflamatórios crônicos e, consequentemente, o risco para diversos tipos de câncer, como mama e intestino”, conta Walraven.
Ele acrescenta que pacientes cardiológicos também recebem atenção especial.
“Entre os pacientes cardiológicos, o Qualivida trabalha no controle rigoroso da pressão arterial, colesterol e outros fatores metabólicos, além de reforçar a cessação do tabagismo e a adoção de hábitos saudáveis. Como muitos fatores de risco cardiovasculares também estão relacionados ao câncer, como sedentarismo, alimentação inadequada e consumo de álcool, a prevenção cardiovascular torna-se, simultaneamente, prevenção oncológica”, explica.
Uso de tecnologia acelera diagnósticos
Além do acompanhamento clínico, a Hapvida também implementou ferramentas baseadas em tecnologia de dados para analisar exames e identificar alterações suspeitas, reduzindo o tempo de espera para avaliação médica.
O diretor de oncologia da Hapvida, Ricardo Rios, afirma que o uso de tecnologia tem papel estratégico na prevenção e no diagnóstico precoce.
“A importância do programa está justamente em sair do modelo reativo, focado apenas no tratamento, e consolidar uma cultura de cuidado preventivo e acompanhamento permanente”, afirma Rios.
Ele cita ainda o uso de sistemas automatizados para apoiar a triagem de exames.
“Programas como o ‘Navegar’ combinam dados, automações e tecnologia de fluxo assistencial para identificar rapidamente alterações em exames de imagem, automatizar alertas aos médicos e agendar procedimentos com mais agilidade, além da navegação oncológica, na qual podemos detectar a biopsia positivamente por meio da tecnologia de dados. Isso melhora a eficiência do diagnóstico e do encaminhamento, integrando tecnologia com atendimento clínico coordenado”, diz Rios.
Sobre a Hapvida
Com 80 anos de atuação, a Hapvida é atualmente a maior empresa de saúde integrada da América Latina. A companhia conta com mais de 73 mil colaboradores e atende cerca de 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia em todo o Brasil.
A estrutura inclui 86 hospitais, 78 prontos-atendimentos, 365 clínicas médicas e 306 centros de diagnóstico por imagem e coleta laboratorial, além de unidades voltadas ao cuidado preventivo e ao acompanhamento de doenças crônicas.



Comentários: