Brasil e EUA fecham acordo para combater tráfico internacional de armas e drogas

Cooperação entre Receita Federal e agência de fronteiras dos EUA prevê troca digital de informações sobre cargas ilícitas e rastreamento internacional de armamentos

Brasil e EUA fecham acordo para combater tráfico internacional de armas e drogas
Foto: Ricardo Stuckert/ PR

Brasil e Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (10) um acordo de cooperação mútua para fortalecer o combate ao tráfico internacional de armas e drogas. A parceria prevê o compartilhamento digital e contínuo de informações sobre apreensões realizadas nas aduanas dos dois países, com foco em acelerar investigações sobre rotas, padrões e conexões entre remetentes e destinatários de cargas ilícitas.

O entendimento foi detalhado após reunião entre autoridades brasileiras e representantes do governo norte-americano no Ministério da Fazenda, em Brasília. A iniciativa reúne a Receita Federal e o U.S. Customs and Border Protection (CBP), agência de fronteiras dos Estados Unidos.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o acordo permitirá maior integração entre os países no enfrentamento ao crime organizado transnacional.

“Trata-se de um passo relevante que estamos dando após a conversa entre Lula e Trump, visando o combate ao crime organizado nos dois países”, disse o ministro, ao ressaltar que esse compartilhamento recíproco de informações será implementado nas aduanas dos dois países.

Com a medida, apreensões de drogas, armas e peças de armamentos em contêineres de navios e aeroportos poderão gerar trocas mais rápidas de dados entre investigadores, facilitando a identificação de métodos de ocultação e rotas utilizadas por organizações criminosas.

De acordo com o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, o uso de tecnologias de raio-x em contêineres tem ampliado a capacidade de identificação de materiais ilícitos, especialmente peças de armamentos.

“Como é mais fácil identificarmos as armas por meio de raio-x, essas organizações criminosas transnacionais têm adotado a estratégia de enviar peças. Por isso as apreensões de peças têm aumentado”, afirmou.

Segundo Barreirinhas, todos os contêineres que deixam o Brasil atualmente passam por escaneamento.

A reunião contou ainda com a participação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que informou que mais de 1,1 mil armas e peças de armamentos foram apreendidas nas aduanas brasileiras nos últimos 12 meses.

“E, no primeiro trimestre de 2026, apreendemos mais de 1,5 mil toneladas de drogas vindas dos EUA”, acrescentou. Conforme a Polícia Federal, os entorpecentes apreendidos eram, em sua maioria, drogas sintéticas e haxixe.

Programa Desarma amplia rastreamento de armamentos

Entre os principais resultados do acordo está o lançamento do Programa Desarma, sistema informatizado da Receita Federal voltado à ampliação do rastreamento internacional de armas e materiais sensíveis.

A ferramenta será utilizada para registrar e organizar dados de apreensões envolvendo armas, munições, peças, componentes, explosivos e outros materiais sensíveis de origem brasileira ou americana.

O sistema armazenará informações como tipo de material, origem declarada, dados logísticos da carga e identificadores ou números de série, permitindo rastrear a procedência dos produtos e mapear redes internacionais de comércio ilegal de armas.

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