Banco Central mantém Selic e setores criticam duramente
Copom mantém taxa de juros no maior patamar desde 2006, gerando críticas de indústrias, construção civil e centrais sindicais

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, na última quarta-feira (28), manter a taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006. A decisão provocou críticas de entidades da indústria, construção civil e centrais sindicais, que alertam para os efeitos negativos sobre o crescimento econômico, o crédito e o emprego.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que a taxa atual impõe custos elevados à economia e ignora a desaceleração recente da inflação. Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, o Banco Central deveria iniciar o ciclo de redução dos juros.
“Ao manter a Selic em nível insustentável, o Copom prejudica a economia e aprofunda a desaceleração do crescimento. É indispensável iniciar a redução dos juros já na próxima reunião”, destacou Alban.
Segundo a CNI, a inflação corrente e as expectativas de mercado caminham para o centro da meta. O IPCA fechou 2025 em 4,26%, abaixo do teto de 4,5%, e projeções do Boletim Focus indicam inflação de 4% em 2026, convergindo gradualmente para 3% nos anos seguintes. Ainda assim, a taxa real de juros permanece em torno de 10,5% ao ano, cerca de 5,5 pontos percentuais acima da taxa neutra estimada pelo próprio Banco Central.
O setor da construção civil também manifestou preocupação. Renato Correia, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), alertou que os juros elevados limitam o crédito imobiliário, reduzem a demanda por novos empreendimentos e dificultam a viabilização de projetos.
“Uma política monetária contracionista desacelera a atividade e impacta toda a cadeia produtiva, com reflexos prolongados sobre emprego e renda”, disse Correia.
De forma mais moderada, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) interpretou a decisão como uma medida de cautela diante de incertezas fiscais e externas. O economista Ulisses Ruiz de Gamboa destacou que o comunicado do Copom será decisivo para sinalizar o início de um possível ciclo de cortes nos juros.
As centrais sindicais reagiram de maneira contundente. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) afirmou que a manutenção da Selic mantém o Brasil entre os países com os maiores juros reais do mundo, penalizando consumidores e trabalhadores. Segundo a entidade, cada ponto percentual da Selic adiciona cerca de R$ 50 bilhões aos gastos públicos com juros da dívida.
A Força Sindical classificou a decisão como “irresponsabilidade social”, acusando o Banco Central de favorecer a especulação financeira em detrimento do setor produtivo. Miguel Torres, presidente da entidade, reforçou que os juros altos restringem crédito, elevam o endividamento das famílias e travam o desenvolvimento econômico.
Apesar das críticas, o Copom manteve a Selic em 15% pela quinta vez consecutiva, em linha com a expectativa de analistas, diante de inflação ainda acima da meta, incertezas fiscais e riscos externos.



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