Bahia é o 2º estado com mais resgates por trabalho escravo em 2025
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (28) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho

A Bahia foi o segundo estado brasileiro com maior número de trabalhadores e trabalhadoras resgatados de condições análogas à escravidão em 2025. Ao longo do ano, 482 pessoas foram retiradas dessa situação, ficando atrás apenas do Mato Grosso, que lidera o ranking nacional, com 607 resgates.
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (28) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), no Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, e integram o balanço das ações realizadas em todo o país.
Fiscalização
Em nível nacional, 2.772 trabalhadores e trabalhadoras foram resgatados em 1.594 ações fiscais de combate ao trabalho análogo à escravidão em 2025. As operações garantiram o pagamento de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias às vítimas.
Além dos resgates, as fiscalizações asseguraram direitos trabalhistas a mais de 48 mil pessoas. Mesmo nos casos em que não foi caracterizada a condição de trabalho escravo, irregularidades foram corrigidas a partir da atuação dos auditores-fiscais do Trabalho.
Áreas de trabalho
De acordo com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), os setores com maior número de resgates foram obras de alvenaria (601), administração pública em geral (304), construção de edifícios (186), cultivo de café (184) e extração e britamento de pedras e outros materiais para construção (126).
Perfil social
O levantamento também aponta uma mudança no perfil das ocorrências. Em 2025, 68% das pessoas resgatadas estavam em áreas urbanas, superando os casos registrados no meio rural, cenário diferente do observado em anos anteriores.
As ações identificaram trabalho escravo contemporâneo em diversas atividades, como colheita de café, desmatamento, mineração ilegal, indústria têxtil e trabalho doméstico. Neste último caso, foram realizadas 122 ações fiscais, que resultaram no resgate de 34 trabalhadores e trabalhadoras em todo o país.
Ranking Nacional
Entre os estados com maior número de ações fiscais estão São Paulo (215), Minas Gerais (145), Rio de Janeiro (123), Rio Grande do Sul (112) e Goiás (102). Já no ranking de trabalhadores resgatados, a Bahia aparece em segundo lugar, seguida por Minas Gerais (393), São Paulo (276) e Paraíba (253).
| UF | Resgatados | UF | Resgatados | UF | Resgatados |
| MT | 607 | RS | 62 | RO | 5 |
| BA | 482 | PR | 62 | RR | 5 |
| MG | 393 | ES | 35 | AM | 4 |
| SP | 276 | PI | 28 | SC | 4 |
| PB | 253 | DF | 22 | RN | 2 |
| MA | 145 | AC | 19 | SE | 1 |
| GO | 134 | CE | 19 | AL | 0 |
| MS | 95 | RJ | 18 | AP | 0 |
| PE | 77 | PA | 17 | TO | 7 |
Após o resgate
De acordo com o MTE, todo trabalhador resgatado tem direito ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado (SDTR), pago em três parcelas de um salário mínimo, além de encaminhamento à assistência social e a outras políticas públicas.
Segundo o chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae), Shakti Borela, os resultados refletem uma política permanente de articulação entre órgãos como o Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal, Defensoria Pública da União, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.
Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê, pelo telefone 158 ou pelo Disque 100.



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