Axé mostra força no último dia do Carnaval do Pelô e emociona público com encontro de gerações
Projeto reuniu artistas consagrados e nova geração em homenagem ao gênero na Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba

A guitarra encontrou os tambores, a Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba vibrou e o público respondeu à altura. Nesta terça-feira (17), último dia do Carnaval do Pelô, o Dia Nacional da Axé Music confirmou o que os foliões já sabem: o gênero segue vivo e pulsando como símbolo da identidade carnavalesca e baiana.
O projeto abriu com Marcionilio, primeiro homem negro a comandar os vocais da Banda Eva, em um mergulho no carnaval das antigas, com “Baianidade Nagô”, “Prefixo de verão” e “Pequena Eva”.
“O axé é a música da nossa gente, a nossa cultura, e a gente se mantém. Estar fazendo esse show no Pelourinho, que é a minha casa, é um sentimento muito forte”, disse o cantor.
Na sequência, Marcionílio se uniu a Gerônimo, Zé Paulo, Joka, Carla Visi, Zé Honório, Laurinha Arantes, Ângela Velloso e Guiga Maraka em um espetáculo idealizado e dirigido por Manno Góes, que emocionou quem viveu os carnavais antigos e contagiou uma nova geração.
Amante do axé, Santelmo Bastos se arrepiou ao falar da força do ritmo. “Muitos dizem que o axé morreu, jamais! É um movimento musical que começou lá atrás e vai permanecer a vida toda”, opinou.
Nil Seixas reforça que o gênero segue como o grande ‘carro-chefe’ do Carnaval. “Fala sobre a cultura da Bahia, eu não podia deixar de vir”, avaliou.
Criado ao som do axé, Aron Soares falou com orgulho da tradição. “Outros estilos aparecem, mas a música da Bahia é sempre a música da Bahia. A gente tem que manter as nossas tradições, tem que manter o nosso pé nas raízes e seguir com o Axé, com o Samba Reggae, com o Samba, manter tudo isso em casa”.
Entre harmonias e letras, a potência do gênero
À frente do projeto, Manno Góes mobilizou o coletivo para destacar a riqueza musical do Axé Music. “Quis trazer uma roupagem que as pessoas conhecem pouco, valorizando harmonias e letras. A gente conhece muito a festa, a parte rítmica, mas eu quis destacar a sonoridade para que as pessoas percebam como é poderosa a nossa música”, explicou.
Ele também ressaltou o simbolismo da homenagem. “Ele é o pai do samba reggae, que é a espinha dorsal do que hoje podemos chamar de Axé Music. Foi revolucionário para o axé. Então, isso é maravilhoso”, afirmou, ao citar Neguinho do Samba.
No palco, a sintonia entre os artistas conduziu o público por um passeio pelo axé, do início do movimento às canções mais recentes.
Para Joka, ex-vocalista da Banda Mel, participar é como “nascer de novo”. “Me sinto tão feliz por fazer parte disso. O axé é o ‘vestido’ do carnaval, a identidade da Bahia. Vai ficar para sempre”.
Emocionada por voltar aos palcos após enfrentar um câncer de língua e perder a voz, Laurinha Arantes celebrou o reencontro. “É uma honra estar aqui, com os jovens e com os que começaram. Para mim, a alegria é dobrada”, disse.
Representando a geração mais jovem ao lado de Ângela Veloso, Guigga afirmou se sentir “feliz e honrado” e definiu o gênero como um “universo de possibilidades”, que segue amadurecendo e incorporando novos elementos.
Programação oficial
O Carnaval do Pelô integra a programação oficial do Governo da Bahia, com o tema “Carnaval da Bahia: Um Estado de Alegria”. A agenda reúne ações do edital público da Secretaria de Cultura da Bahia, que contemplou 81 propostas artísticas, além da participação da Secretaria de Turismo, por meio da Sufotur. Parte das atrações no Largo do Pelourinho também é viabilizada pela Lei Federal de Incentivo à Cultura.



Comentários: