Às vésperas da Lavagem do Bonfim, obras do Caminho da Fé são restauradas
Das 28 obras, espalhadas em 14 estações, 22 foram furtadas e precisaram ser recolocadas

Na próxima quinta-feira (15), quem seguir em direção à Colina Sagrada pelo Caminho da Fé — localizado entre as Obras de Irmã Dulce e a Igreja do Bonfim, na Avenida Dendezeiros —, durante a Lavagem do Bonfim, vai se deparar com as obras de arte que retratam a história de Santa Dulce dos Pobres e a devoção ao Senhor do Bonfim completamente restauradas. De acordo com a Prefeitura de Salvador, as estruturas que compõem a exposição foram recuperadas após sucessivos atos de vandalismo registrados no ano passado.
Das 28 obras, espalhadas em 14 estações, 22 foram furtadas — mesmo que antes fixadas com parafusos ocultos e contam com uma camada extra de proteção em vidro. Agora, 28 totens em madeira com chapas de aço inox, criados pelo artista Juarez Paraíso, autor da obra original, foram recolocadas. A produção do novo material foi viabilizada pela Fundação Gregório de Mattos (FGM).
De acordo com a gerente de Patrimônio da FGM, Roberta Ventura, as obras do Caminho da Fé possuem importância imensurável, tanto do ponto de vista artístico quanto espiritual e cultural, por homenagearem duas figuras profundamente enraizadas na devoção popular e na identidade do povo brasileiro: Santa Dulce dos Pobres, símbolo maior da caridade, da solidariedade e do cuidado com os mais necessitados, e o Senhor do Bonfim, expressão máxima da fé, da esperança e da tradição religiosa que atravessa gerações.
“Essas obras criadas por Juarez Paraíso, um dos mais relevantes artistas visuais da Bahia, dialogam diretamente com a religiosidade, a memória coletiva e a paisagem cultural do nosso território. O Caminho da Fé não é apenas um percurso artístico, mas um espaço de contemplação, reflexão e encontro entre arte, espiritualidade e identidade social”, afirmou Roberta.
A gestora destacou ainda que as obras do Caminho da Fé integram o conjunto de trabalhos de Juarez Paraíso que está em processo de tombamento e já conta com proteção legal provisória desde 2024, a partir da Notificação de Abertura do Processo de Tombamento. “Esse reconhecimento reforça o valor artístico e simbólico das obras, assegurando sua preservação para as futuras gerações. Mesmo com esse reconhecimento, elas vêm sofrendo atos de vandalismo, o que é extremamente grave”, reforçou.
Penalidades
De acordo com o Código Penal Brasileiro (art. 163), depredar ou danificar monumentos e bens públicos, tombados ou não, é crime, com penas que variam entre multa e detenção. O artista responsável pelas obras, Juarez Paraíso, ressaltou que o vandalismo se tornou uma questão de segurança pública, envolvendo educação, respeito à religião do outro e ao patrimônio coletivo.
“A obra de arte merece toda a atenção possível, porque é um investimento econômico e cultural, o que exige responsabilidade de todos. Para nós, autores e produtores, o vandalismo foi um golpe grande. Provoca dor e impotência quando se percebe que não há como resguardar completamente as obras. Hoje, elas estão de volta graças ao interesse e à responsabilidade da FGM, à consciência pública da gestão e ao respeito à Santa Dulce. A Fundação, em um ato de responsabilidade, promoveu a reposição das obras com uma equipe dedicada”, afirmou.
Caminho da Fé
Inauguradas em 13 de agosto de 2020, o Caminho da Fé é rota religiosa de 1,1 quilômetro, pensada como trajeto a ser percorrido por fiéis entre o Santuário do Bonfim e o Santuário de Santa Dulce dos Pobres, na Península de Itapagipe. As obras estão instaladas ao longo da via em formato de totens com duas faces. Cada peça pode ser apreciada conforme o sentido do trajeto: um lado é visto por quem segue em direção à Igreja do Bonfim, e o outro por quem caminha em direção ao Hospital de Irmã Dulce.
O primeiro totem está localizado em frente ao Hospital Santo Antônio, nas proximidades da Igreja de Irmã Dulce. A partir desse ponto, as estruturas seguem alinhadas pela calçada no sentido da Igreja do Bonfim, formando um percurso com diversas obras distribuídas ao longo do caminho.



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