Anvisa endurece medidas contra empresa após operação “Casa de Farinha”

Decisão amplia restrições após operação policial identificar esquema clandestino de suplementos e prejuízo de R$ 100 milhões em impostos

Anvisa endurece medidas contra empresa após operação “Casa de Farinha”
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão de todos os produtos alimentícios fabricados pela Capsul Brasil Indústria e Comércio S.A., localizada em Arcos, no Centro-Oeste de Minas Gerais. A decisão, publicada na última quarta-feira (8), também proíbe a fabricação, comercialização, distribuição, propaganda e uso de qualquer item da empresa.

A medida reforça ações anteriores após a identificação de novas irregularidades sanitárias durante inspeções realizadas no local. Com isso, a resolução substitui uma determinação anterior mais branda e amplia as restrições impostas à empresa.

Paralelamente, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que o inquérito segue em andamento, com novas oitivas sendo realizadas. A empresa permanece interditada desde a operação que deu origem às investigações.

A decisão da Anvisa ocorre no contexto da Operação “Casa de Farinha”, deflagrada em 25 de março de 2026. A ação foi coordenada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Minas Gerais (CIRA-MG), com participação do Ministério Público de Minas Gerais, Vigilância Sanitária estadual, Polícia Civil, Polícia Militar e a própria Anvisa.

Durante a operação, foi desarticulado um esquema criminoso de fabricação em larga escala de suplementos alimentares em galpões clandestinos. As investigações apontaram condições inadequadas de produção, ausência de controle de qualidade, produtos sem os princípios ativos anunciados e divulgação de promessas falsas de cura para problemas de saúde.

Além das irregularidades sanitárias, o grupo também é investigado por fraude tributária. Segundo as apurações, as vendas dos suplementos eram registradas como “e-books” ou “livros eletrônicos” em notas fiscais, estratégia usada para se beneficiar da imunidade tributária. O prejuízo estimado aos cofres públicos é de aproximadamente R$ 100 milhões.

A operação resultou no bloqueio de mais de R$ 1,3 bilhão em bens e valores dos investigados. Também foram apreendidos 14 veículos de luxo, incluindo Ferraris, Porsches e um Escalade, além de relógios de alto valor, como um modelo Patek Philippe avaliado em mais de R$ 1 milhão, joias e outros itens.

Dois empresários apontados como responsáveis pela Capsul Brasil, de 29 e 35 anos, foram presos temporariamente. De acordo com as investigações, eles ostentavam nas redes sociais uma rotina de alto padrão, com carros esportivos, viagens internacionais e uso de jatinho particular, além de comercializarem cursos e e-books sobre o modelo de negócio.

As apurações indicam ainda que mais de 300 empresas estariam envolvidas na comercialização dos produtos, que teriam alcançado mais de 1 milhão de consumidores em todo o país.

Com a nova determinação da Anvisa, todos os suplementos da marca que ainda estejam em circulação devem ser recolhidos. A medida tem como objetivo reduzir riscos à saúde da população.

O caso segue em investigação e pode ter novos desdobramentos nas esferas criminal e sanitária nos próximos meses.

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