Afastamentos por ansiedade e transtornos mentais batem recorde no Brasil

Os afastamentos do trabalho por transtornos mentais atingiram o maior nível da série histórica no país. Dados recentes divulgados pelo INSS mostram que, em 2024, o Brasil registrou 472.328 licenças médicas relacionadas a ansiedade, depressão e outros transtornos psicológicos. O número representa um salto de 68% em relação a 2023 e mais que o dobro do registrado há dez anos.
Na Bahia, o cenário segue a tendência nacional e acende um alerta. O estado contabilizou 14.065 afastamentos por transtornos mentais em 2024 — um aumento de quase 145% em comparação a 2021. Entre 2021 e 2024, a Bahia acumulou mais de 30 mil licenças motivadas por doenças psicológicas, liderando o ranking do Nordeste.
A ansiedade foi o motivo mais frequente de afastamento no estado, com 4.517 casos em 2024. A depressão aparece em segundo lugar, somando 3.313 registros. Assim como no restante do país, as mulheres representam a maior parte dos afastamentos: cerca de 64% dos trabalhadores que receberam benefício por incapacidade temporária.
Setores como instituições financeiras, administração pública, hospitais, teleatendimento, educação e segurança pública concentram os maiores índices de adoecimento. Especialistas apontam que metas excessivas, alta carga de trabalho, assédio moral e falta de suporte organizacional estão entre os fatores que elevam o risco de esgotamento emocional.
O impacto financeiro também é significativo. Em 2024, os benefícios por transtornos mentais custaram mais de R$ 3 bilhões à Previdência Social. A média de afastamento nacional por esse tipo de doença é de aproximadamente três meses.
Diante da escalada de casos, o Ministério do Trabalho atualizou a Norma Regulamentadora nº 1, que passou a incorporar riscos psicossociais entre os fatores que podem levar à autuação de empresas, incluindo metas abusivas, jornadas exaustivas e ambientes de trabalho tóxicos.
Especialistas alertam que o avanço dos registros revela uma mudança estrutural no perfil do adoecimento laboral no país. A tendência preocupa autoridades e reforça a necessidade de políticas de prevenção, acompanhamento psicológico e revisão das práticas de gestão no ambiente de trabalho.
Hipnose clínica como alternativa terapêutica para ansiedade e depressão
Com o aumento dos afastamentos e a sobrecarga dos serviços de saúde mental, métodos terapêuticos integrativos ganham espaço entre trabalhadores que buscam formas efetivas de manejo emocional e redução dos sintomas. Entre essas abordagens está a hipnose clínica, uma técnica reconhecida pela psicologia e pela neurociência por atuar diretamente no subconsciente — região onde são formados os padrões emocionais automáticos que alimentam a ansiedade, o medo e o estresse.
O psicoterapeuta e hipnólogo Ricardo Garrido, especialista em ansiedade e depressão, explica que a técnica facilita o acesso a memórias, crenças e gatilhos emocionais que sustentam o sofrimento psíquico.
“A hipnose clínica reorganiza o modo como o cérebro processa emoções e reações. Não é mágica, é neurociência aplicada. A pessoa permanece consciente, mas entra em um estado de foco que permite ressignificar padrões internos que alimentam a ansiedade”, afirma Garrido.
Durante as sessões, o paciente experimenta um estado profundo de relaxamento, com redução da atividade crítica e aumento da receptividade terapêutica. Isso possibilita intervenções emocionais mais rápidas, especialmente em quadros associados ao trabalho, como:
ansiedade generalizada,
crises de estresse,
insônia ligada à pressão laboral,
compulsões,
medos específicos,
traumas e bloqueios emocionais.
De acordo com Garrido, a técnica também é eficaz em casos de trabalhadores que enfrentam esgotamento mental (Burnout) ou que desenvolveram respostas automáticas de medo diante de ambientes de pressão.
Seu método integra Neurociência, Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), Psicanálise e Programação Neurolinguística (PNL), garantindo uma abordagem científica e personalizada.
“A hipnose é uma ferramenta que ajuda o trabalhador a recuperar a estabilidade emocional. Quando o cérebro aprende novas respostas aos gatilhos, a ansiedade perde força e a pessoa retoma o equilíbrio necessário para sua rotina”, explica o especialista.



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